A era dos vestíveis


A tecnologia dos vestíveis (ou wearables” em inglês) vem, gradativamente, ganhando espaço nas operações de manufatura e logística

E m uma cena do desenho animado “Os Jetsons”, o pai da família, George Jetson recebe uma ligação do seu chefe. Ele então, olha para seu relógio, onde a imagem do empregador o encara enquanto eles têm uma conversa em tempo real. O desenho foi ao ar pela primeira vez em 1962 e contava com muitas outras revoluções tecnológicas como cidades fl utuantes, robôs que fazem o trabalho de casa e carros que voam. Se algumas novidades ainda estão longe de se tornarem realidade, outras já fazem parte do nosso presente e algumas pessoas ainda não se deram conta disso. Hoje, já é possível controlar o batimento cardíaco, o consumo de calorias, checar e-mails e veri- fi car a agenda direto no dispositivo de pulso. Isso permite não só estar conectado a qualquer momento (os smartphones já fazem isso), mas também revoluciona no quesito mobilidade. A cada lançamento, os dispositivos mó- veis parecem fi car maiores. Em contrapartida, uma tecnologia vestível é integrada ao seu corpo, não necessitando de espaço extra. A ON World, empresa especializada em dados relacionados a tecnologia, fez um estudo que prevê que 700 milhões de dispositivos vestíveis serão comercializados ao redor do mundo nos próximos anos, gerando um valor de mercado anual de US$ 47,4 bilhões. Considerando apenas os SmartWatches, 330 milhões de unidades serão enviadas aos seus consumidores até 2018. Se para uso pessoal essa tecnologia tem crescido, pode-se afirmar que cresce também seu consumo no âmbito profissional. A logística se beneficiou muito ao longo dos anos com a chegada de novas tecnologias. Sistemas de gerenciamento de armazéns e de frotas, estocagem automatizada, leitores de códigos e etiquetas RFID são alguns exemplos. Sendo assim, é fácil presumir que os wearables alcancem seu espaço nessa área. Na operação Quando se trata de um armazém ou uma fábrica, onde a maior parte da equipe não trabalha diretamente em uma mesa, é preciso pensar no dispositivo que irão carregar. É pesado? É prático? Ele vai ter que interromper o trabalho para dar o input, concluir uma tarefa, ler um código? É importante ter em mente que, em qualquer operação, é preciso ter informação em tempo real. O colaborador precisa disso para realizar uma tarefa, saber para onde ir e otimizar seu percurso. Com os vestíveis, a informação é passada para a rede, software, sistema ou nuvem conforme o trabalho é realizado. Essa rapidez permite uma resposta imediata e uma operação mais eficiente e conectada. Limitado, mas não inviável Como toda nova tecnologia, e considerando a realidade brasileira, é inviável economicamente a aquisição de determinados vestíveis em escala, como é o caso dos relógios inteligentes que aqui no Brasil são encontrados por mais de R$ 3 mil, enquanto nos EUA podem chegar a US$ 360. Isso limita, mas não impede o avanço gradativo da tecnologia que vai entrando aos poucos nas operações de manufatura e logística. “Os vestíveis estão em uma curva de aprendizado”, afirma Daniel Duarte, da SAP. Daniel é Head of Innovation and Customer Experience do SAP Lab. No laboratório é feita a adaptação das soluções globais para as especificações de cada país. De acordo com Duarte boas tecnologias serão lançadas nos próximos dois anos. Para ele, é só uma questão de tempo até as pessoas se adaptarem aos wearables. “A SAP acredita que uso de vestíveis vai facilitar o negócio. E no armazém, diversos problemas serão reduzidos”, comenta. A SAP desenvolveu uma solução em parceria com a Vuzix. Trata-se de um óculos de realidade aumentada, com a tecnologia da SAP operando. A solução está em teste em armazéns nos EUA e na Europa. Ao contrário do Google Glass, que possui uma terceira lente, o óculos da Vuzix foi desenvolvido para ser uma extensão do operador. Com o software da SAP, ele recebe informações de picking, faz a leitura de códigos de barra, informa sobre outras empilhadeiras por perto, evitando acidentes. Voz no CD Enquanto os óculos ainda estão sendo testados e seu sucesso está a prova, outras soluções vestíveis já têm espaço nos armazéns, como o voice-picking. O atacadista Arcom opera uma área de armazenagem de 620 mil m³, conta com CDs em São Paulo e Rio de Janeiro e uma frota de mais de mil veículos. A empresa queria aumentar a eficiência do CD, ao mesmo tempo em que buscava uma forma de melhorar a qualidade na área de picking ao reduzir os erros de separação, aspirando assim por maior produtividade. O Arcom adotou as soluções Vocollect Voice em dois de seus processos internos: na movimentação de mercadorias (estocagem e abastecimento da separação) e na separação. Entre os resultados alcançados, o tempo de treinamento para novos colaboradores foi reduzido em 80%. Na movimentação foi observado um ganho de produtividade, e os erros, que antes eram cerca de 120 por mês, foram reduzidos para até 20. A Vocollect, adquirida em 2013 pela Honeywell, já tem experiência em soluções de separação, incluindo por voz. “A Honeywell oferece um sistema de voz utilizado principalmente em CDs e armazéns. Os recursos da empresa são compatíveis com vários ambientes de trabalho, desde transpaletes motorizados a empilhadeiras de longo alcance”, comenta Luiz Eng, gerente geral da Honeywell. Luva na separação Outra solução vestível que já está no mercado é o QuickPick Remote, da Crown. Trata-se de uma luva com uma pulseira transceptora que é fixada ao pulso e ao dedo do operador por meio de tiras ajustáveis, deixando as mãos livres para fazer a seleção de pedidos localizados em níveis baixos. Ela possui um botão que, ao ser acionado pelo polegar, permite aos operadores mover o transpalete ao próximo local de coleta, sem ter que voltar ao compartimento do operador. Um módulo transceptor sem fio que se encaixa em um suporte na parte de trás da pulseira transmite e recebe sinais de RF vindos do transpalete. No que se trata de vestíveis, sejam luvas, óculos ou outras novidades, pode-se afirmar que não é uma questão de se eles serão utilizados em operações e outros setores, mas quando.


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