A nova revolução logística


A nova revolução logística

O conceito de Logística 4.0 ganha força na logística empregando Internet das Coisas para otimizar a cadeia de suprimentos

E m setembro de 2015, publicamos na Revista LOGÍSTICA sobre a nova revolução industrial, chamada de Indústria 4.0. Ela se baseia no conceito de “Internet das Coisas (IoT)” e, impulsionada pela extensa geração de dados (Big Data) que as novas tecnologias oferecem, permite analisá-los a fundo, gerando relatórios mais acurados sobre o estágio da produção, demanda, etc. Essa geração de dados proporciona uma indústria mais alinhada com a realidade dos negócios, sem desperdícios.

Mas, além da indústria, essa informação favorece a cadeia de suprimentos ao integrar as diversas etapas e permitir o compartilhamento de informações.

Essa revolução também permite acompanhar a operação em tempo real, inclusive remotamente. Uma entrega atrasada, uma máquina parada, um problema de estocagem; tudo isso pode ser descoberto imediatamente ou melhor, com antecedência, permitindo uma reprogramação e execução mais eficazes.

Ao invés de esperar que o material chegue na hora certa para produzir, ou aguardar o fim do estoque para substituí-lo, uma empresa que desenvolve soluções baseadas na “Internet das Coisas” pode ajustar a operação ou se preparar com antecedência para a ocorrência de um fato.

Um estudo realizado pela Zebra Technologies aponta que 83% das empresas de manufatura, nos Estados Unidos, já possuem soluções de IoT ou devem começar a ter no próximo ano. E mais de 95% das empresas entrevistadas acredita que a indústria está pronta para as mudanças necessárias para implementar ferramentas de IoT.

Esse conceito de troca de informação e geração de dados tem potencial para revolucionar a indústria, daí o conceito de Revolução Industrial. E as possibilidades são infinitas.

Manufatura Aditiva

A impressão 3D, por exemplo, hoje integra a chamada manufatura aditiva, que se utilizada de diversos materiais para a produção (“impressão”) imediata de peças, componentes etc.

Na manufatura aditiva, as peças são construídas camada por camada, por adição de material. Existem diversas tecnologias de manufatura aditiva, mas em geral elas seguem o mesmo princípio. Partindo de um projeto realizado em 3D, o software de controle da máquina divide a peça a ser fabricada em fatias finas e define as camadas de deposição de material que são necessárias. O potencial dessa solução é imenso. Imagine que a peça de uma máquina quebre, mas ela é importada e uma nova peça levará semanas para chegar. Nesse período a máquina tem que ficar parada o que, com certeza, vai afetar a produção. Agora imagine a mesma peça sendo reproduzida imediatamente em uma “impressora” e funcionando normalmente em questão de horas, simplesmente com o fornecimento de informações on-line.

Portanto, não é exagero dizer que esse é o futuro da indústria, bem como o da logística. Imagine o impacto desta tecnologia sobre a gestão de estoques, armazenagem, transporte, entre outros.

Logística 4.0

Assim, a logística deve seguir o mesmo caminho, sendo beneficiada de maneira similar a indústria. Não é de agora que a TI impacta na logística, mas é recente que a evolução na integração dessas tecnologias ganha espaço e consolida novos processos logísticos, que não eram nem imaginados há poucos anos.

Já são centenas de iniciativas de desenvolvimento da chamada Logística 4.0, onde a criatividade é o limite e os desenvolvimentos seguem o modelo de “startups”. Por isso, embora hoje os protótipos das soluções TI para logística possam impressionar, muitos ficarão apenas na fase de “invenção” e não atingirão a maturidade de se tornarem soluções produzidas em maior escala, a denominada inovação.

Recentemente publicamos na Revista LOGÍSTICA (edição de março/2016) sobre a tecnologia dos vestíveis e seus benefícios para as operações, mas a onda não para na tecnologia propriamente dita. A cada nova solução, o comportamento do todo se altera e redesenha automaticamente o sistema.

Isso quer dizer que: seja um novo material, um novo aplicativo, ou qualquer nova tecnologia, pode-se viabilizar soluções “adormecidas” e descartadas inicialmente, ou impulsionar a “morte” de outras soluções.

A equipe de consultoria da IMAM, por exemplo, desenvolveu e justificou técnica e economicamente vários projetos para operações com empilhadeiras autônomas (sem operadores), que estão apenas no aguardo das condições de viabilidade financeira. Neste tipo de operação, a tendência mostra que será cada vez mais reduzido o espaço de trabalho para operadores de empilhadeiras que realizam operações repetitivas, ou seja, a viabilidade técnica e econômica já existe e isso não será mais nem inovação quando for aplicado em larga escala.

Quebra de paradigma

É claro que, como qualquer novidade, a Logística 4.0 também encontra obstáculos em seu caminho. Muitas empresas ainda têm medo de disponibilizar certos dados, ou não encontram infraestrutura adequada para garantir a troca de informações rapidamente.

Além disso, quando se trata de tecnologia, muitos são céticos e preferem manter um “pé atrás”. É preciso entender como esse avanço tecnológico pode melhorar a logística.

Imagine o que está acontecendo com os desenvolvimentos ainda não tão perceptíveis, que envolvem identificação de materiais, monitoramento de recursos e operações em tempo real, planejamento e simulação operacional, execução e controle, otimização operacional, entre outros.

Os impactos desse ambiente 4.0 (4ª Revolução Industrial) são tão significativos que podem viabilizar operações que hoje são deficitárias e comprometer operações que são aparentemente estáveis.

Alguns exemplos de como a IoT beneficia a Logística 4.0

  1. Otimização de manutenção: ao conectar equipamentos a Internet das Coisas, empresas e revendedoras podem aperfeiçoar a manutenção preventiva, baseada em dados concretos de uso. Isso permite verificar se os equipamentos estão adequados ou se algum é pouco utilizado sendo substituído ou eliminado, gerando economia financeira.

  2. Segurança: é possível verificar onde e como um acidente ocorreu e quem estava operando o mesmo, permitindo uma riqueza maior de informações e uma melhor análise, para prevenir acidentes futuros.

  3. Agilidade e visibilidade: o uso de etiquetas inteligentes possibilita uma transmissão de informações em tempo real sobre o equipamento, o operador, a carga onde está, quanto tem, prazo, etc. Com isso, o pedido tem mais chance de ser rastreado e separado para envio mais rapidamente.

  4. Rastreabilidade: com a Internet das Coisas e ferramentas como leitores de RFID, por exemplo, a empresa no final da cadeia pode agregar valor ao saber sobre a movimentação dos bens, o ciclo das peças que vem de cada fornecedor e outros dados que podem estar armazenados na tag.

Na prática

O exemplo da Embraer

Com as companhias globais cada vez mais conectadas e a crise que vivemos, o país ficou para trás nesta “corrida” e os rankings que avaliam o ambiente de negócios e a competitividade das empresas colocam o Brasil entre as últimas posições. Mas isso não significa que as empresas brasileiras devem se acomodar. A Embraer, referência no mercado global, tem apostado em determinados nichos de mercado e avançado sobre a concorrência, como destaca Paulo G. Silva, coordenador do Programa KC-390, o primeiro cargueiro militar da empresa. O investimento na tecnologia de modelagem digital que a Embraer realizou, permite um desenvolvimento rápido e de baixo custo, onde inúmeras partes da aeronave são criadas e testadas virtualmente.

Assim, no Brasil, erra quem pensa que as empresas estão paradas. Muitas seguem o exemplo da Embraer e de outras empresas globais e os resultados virão.

Inventário em tempo real

O processo de inventário dos itens que ficam circulando entre os diversos postos de trabalho na GE Oil & Gas (Planta Jandira – SP) é atualmente muito ágil, pois a solução de monitoramento desenvolvida pelo Centro de Pesquisas Global da GE permitiu a eliminação da contagem física.

Wilson Pedroni, gerente da planta destaca que a tecnologia possibilitou o rastreamento em tempo real e a localização geográfica de cada item dentro da unidade, bem como o tempo de permanência de cada peça nos diferentes centros de trabalho, indicando inclusive problemas de fluxo no processo produtivo.

“Locomotiva da GE”

Em março de 2016, uma das empresas líderes na “Internet Industrial das Coisas” colocou em operação, nas linhas férreas do Paraná uma locomotiva da GE pronta para receber diferentes tipos de softwares, como o Trip Optimizer (piloto automático). Além disso, sensores monitoram, em tempo real, diversos componentes da locomotiva, otimizando assim o trabalho de manutenção e consequentemente a segurança.

Caminhões Autônomos

Em Palo Alto, na Califórnia, a empresa Otto, trabalha para colocar em circulação caminhões com piloto automático, sem depender da intervenção humana.

Imagine a transformação pela qual passará a logística de um país que possui na sua matriz de transporte uma forte dependência do transporte rodoviário de carga.

A empresa de mineração Rio Tinto também adotou caminhões autônomos na Austrália, guiados por colaboradores que Caminhões Autônomos estão em um centro de controle a mais de 1.000 km de distância. Eles também testam trens sem maquinistas como parte de seu esforço para adotar novas tecnologias a fim de reduzir custos e aumentar a segurança.


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