Panoramas e perspectivas: os avanços e desafios no campo da Administração


2016 foi um ano marcado por inúmeros acontecimentos que impactaram na forma como o brasileiro enxerga o país e a si mesmo. Instabilidade política e econômica, maior atenção aos processos de transparência nas empresas, diminuição no número de empregos com carteira registrada e a busca por aperfeiçoamento profissional são apenas alguns exemplos do turbilhão de fatos que nos levaram a sair da zona de conforto, muitas vezes pela forma mais difícil.

As projeções para o próximo ano também são desafiadoras: especialistas acreditam na recuperação da economia e consequentemente desenvolvimento, mas ainda é necessário cautela e, também, muita análise do que foi realizado. Aprender com a crise é um dos legados mais importantes para as pessoas e organizações e é neste momento que práticas inovadoras transformam cenários consolidados e profissionais se adequam às mudanças necessárias.

Para falar sobre os principais aspectos deste ano e as perspectivas para 2017, a Revista Administrador Profissional ouviu os coordenadores dos Grupos de Excelência - GEs do CRA-SP para um panorama geral sobre as principais áreas da Administração, que são debatidas no Conselho pelos membros dos GEs e estudadas como forma de auxiliar e colaborar com as mudanças da sociedade.

Saúde precisando de atenção

Contar com um sistema de saúde de excelência é o sonho de todo brasileiro e poderia ser realidade se tivéssemos a profissionalização da área e a boa administração dos recursos destinados ao setor. É o que defende o coordenador do Grupo de Administração em Saúde, Adm. Waldomiro Federighi.

“A atual crise brasileira fez a economia encolher alguns bilhões de dólares, mas estima-se que até 2018 o país conseguirá se recuperar. Aproveitando esse otimismo, gostaria de acordar de um sonho e me deparar com várias soluções na área da saúde: a integralidade do SUS virou realidade e o atendimento deixou de ser fragmentado; a estratégia de saúde da família se tornou prioridade e a rede de atenção primária tornou-se eficaz, com quase 80% de soluções; a reversão do modelo hospitalocêntrico mostrou que apenas 30% dos pacientes precisam de internação e, com isso, a capacidade instalada de leitos passou atender a demanda; a judicialização em níveis aceitáveis resultou economia considerável e a inflação da área da saúde (2,2 vezes maior que a normal, por várias razões) caiu a níveis próximos da inflação oficial”, lista Federighi.

“O meu sonho também prevê que a crescente expectativa de vida e a decrescente mortalidade levaram o SUS e os planos de saúde a investirem mais em programas de qualidade de vida aos adultos ativos e a tratamentos paliativos aos idosos terminais, com maior economicidade nos resultados e na ocupação dos leitos hospitalares. A área da Saúde passou a movimentar perto de 12,0% do PIB, se mostrando um ramo promissor. Neste meu devaneio evidencia-se que o problema atual não é a falta de recursos, mas sim como eles são administrados”, afirma o coordenador.

Estratégia na prática

A corrupção foi um dos principais temas deste ano, senão o principal, envolvendo tanto o alto escalão quanto as pequenas empresas. Por isso, falar sobre estratégia e planejamento, itens primordiais da Administração, continua sendo tão importante no próximo ano. É o que defende o coordenador do Grupo de Administração Estratégica e Planejamento, Adm. Eduardo Piedade.

“O tema central de 2016 foi a Lei Anticorrupção, os limites e as consequências para empresas e administradores profissionais. Tivemos a rica oportunidade de enfrentar alguns dos principais paradigmas que emperram o desenvolvimento do país, repercutem na vida de todos e em especial sobre a carreira dos administradores. Concluímos que a recente corrida pela implantação das políticas de compliance, ainda que bem vinda, é, na maioria das vezes, apenas uma forma de atender as exigências contratuais do mundo dos negócios e acarreta a grave possibilidade de imputar responsabilidades criminais aos profissionais de administração sobre assuntos e decisões para as quais eles sequer foram consultados”, analisa o administrador.

Para o próximo ano, Piedade enfatiza o envolvimento do grupo e a necessidade de sensibilização da sociedade. “Seguiremos 2017 compromissados em enfrentar os principais temas emergentes da sociedade brasileira, com o objetivo inalienável de incluir administração estratégica e o planejamento na rotina dos empresários, Adm. Waldomiro Federighi Adm. Eduardo Piedade 19 governantes, profissionais administradores públicos e executivos do setor privado. Cremos que o Brasil precisa de administradores e estamos dispostos a servir”, enfatiza o coordenador.

Logística em cena

Embora essencial nas transações comerciais, a logística costuma desempenhar seu papel de forma silenciosa. Porém, com a recente realização de megaeventos no país, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, a sociedade passou a entender a importância deste setor que influencia diretamente nos lucros e resultados das organizações. O Adm. Marcos Antônio Maia de Oliveira, membro do Grupo de Administração de Operações Empresariais e Logística, destaca a necessidade de investimento e maior conhecimento sobre a área.

“A globalização, a mudança no comportamento dos consumidores e as reduções do ciclo de vida dos produtos exigem que as organizações adquiram e desenvolvam novas competências para conquistar e manter clientes. As empresas operam em um ambiente complexo e competitivo, buscando a diferenciação e vantagens em relação aos seus concorrentes. Cada organização tenta encontrar seu próprio caminho, de forma singular, combinando de maneira distinta seus recursos e capacidades. Apesar das diferenças individuais, um ponto comum pode ser observado: empresas com grande eficácia operacional utilizam a logística de forma estratégica para seus negócios”, enfatiza Oliveira.

“Em 2015, cerca de 12% da receita foi consumida com despesas em armazenagem e transporte, ante 11,5 % (2014) e 10,54% (2012) – conforme pesquisa FDC 2015, com 142 empresas de 22 segmentos industriais. Esse cenário influencia cortar custos e, dessa forma, a logística passa a ser um diferencial competitivo sustentável ao mercado”, explica o administrador.

Profissionalização na solidariedade

O terceiro setor ganha cada vez mais destaque na sociedade e tem oferecido oportunidades para profissionais de diversas áreas, principalmente administradores. Um campo que proporciona reconhecimento profissional e pessoal e mobiliza a população e o empresariado em prol de ações que visam beneficiar causas importantes.

“Apesar da administração do Terceiro Setor ainda não ser ainda muito conhecida (sim, há espaço de desenvolvimento profissional para o administrador), o seu tamanho é significativo. As organizações do Terceiro Setor (Organização Não-Governamental - ONGs, Organizações de Sociedade Civil – OSCs, entidades) são financiadas pelas doações de quem acredita em suas causas. E, nesse ano, aprendemos o que isso representa: os brasileiros doaram quase 14 bilhões de reais às ONGs em 2015. Um número fantástico! O resultado é bom, mas não representa fartura: em razão da crise econômica brasileira, muitos deixaram de doar, incluindo empresas e governo. De todo modo, a sociedade civil se fortaleceu em 2016, beneficiada por uma legislação que Adm. Marcos Antônio Maia de Oliveira Adm. João Paulo Vergueiro 20 torna mais transparente a relação das ONGs com o governo, possibilita a remuneração dos dirigentes e amplia o incentivo fiscal. Para 2017, a expectativa é de mais profissionalização do setor, com organizações melhor preparadas, mais eficientes e, principalmente, ampliando sua capacidade de gerar receita (doações) ”, acredita o Adm. João Paulo Vergueiro, coordenador do Grupo de Administração do Terceiro Setor. Energia que move o país os debates mundiais com relação às fontes renováveis de energia têm pautado a preocupação da sociedade para um mundo mais sustentável. Um tema de extrema importância dado o avanço tecnológico, principalmente nas nações em desenvolvimento. Para o coordenador do Grupo de Negócios de Energia, Adm. Fernando Marques, espera-se no ano que vem um maior consumo de energia e maiores investimentos no setor.

“A energia constitui-se em tema estratégico da comunidade internacional, inserida no conceito de desenvolvimento sustentável e no uso mais eficiente dos recursos naturais do planeta. Vivenciamos uma competição cada vez mais acirrada entre os países pelos recursos naturais, conjugada com uma perene busca pela segurança energética, essencial para o desenvolvimento. O ano de 2016 termina com uma queda no consumo de energia no Brasil em comparação ao ano anterior, face a persistência da crise econômica. Espera-se, para 2017, a retomada da confiança do setor, tendo em vista uma recuperação da economia, mesmo que tímida na ordem de 1,5%, levando a um aumento no consumo de energia. Projeta-se investimentos relevantes em geração distribuída, contribuindo para a inserção da energia solar fotovoltaica na matriz energética brasileira e projetos de eficiência. Este cenário enquadra-se nos compromissos assumidos pelo Brasil na 21ª Conferência do Clima, isto é, de possuir uma matriz energética até 2030 com participação de 23% de fontes renováveis não hídricas (biomassa, eólica e solar) e 10% de ganho de eficiência energética, rumo, assim, a uma economia de baixo carbono”, explica Marques.

Mediar os conflitos

Importantes ferramentas na resolução de conflitos, a Mediação e Arbitragem encontrarão, em 2017, um cenário ainda mais propício para o seu desenvolvimento. De acordo com o coordenador do Grupo de Mediação e Arbitragem, Adm. Luiz Carlos Marques Ricardo, é importante os administradores repensarem estas atividades como campo de atuação.

“Prestes a encerrar o ano de 2016, é possível afirmar que a dedicação do Grupo de Excelência em Mediação e Arbitragem consistiu em ratificar a implantação da nova Lei de Mediação e desmistificar a utilização desse instituto para solução de conflitos. Temos certeza que em 2017 se inicia um inovador arcabouço jurídico que ratificará ainda mais a prática no Brasil. Com a entrada em vigor da Lei de Mediação em 2015, importantes aspectos relacionados à prática no país foram disciplinados, consolidando um ambiente ainda mais propício para o seu desenvolvimento. Os administradores possuem enorme espaço para utilização, considerando o número de processos que chegam aos Tribunais brasileiros e o conhecimento abrangente desses profissionais”, enfatiza o coordenador.

Segundo Marques Ricardo, eventos como a palestra realizada no Encontro do Conhecimento em Administração – ENCOAD revelam que o interesse do público decorre justamente da relação direta que a mediação tem com a Administração. O objetivo, em 2017, é ainda maior. “Somos solicitados e questionados quanto à viabilização de uma Câmara de Mediação e Arbitragem SAESP/ CRA-SP para a Administração e nossa grande meta para o próximo ano é justamente a implantação desta Câmara”, anuncia.

Mercado para os jovens

Para quem está no início da carreira, 2016 não foi um dos melhores anos: com o mercado de trabalho cada vez mais competitivo, os jovens profissionais tiveram dificuldades para encontrar sua primeira oportunidade. Diante deste cenário, muitos já procuram especializações e desenvolvimento de competências que sejam vistas como diferenciais nos processos seletivos. Segundo o coordenador do Comitê Jovens Administradores, Adm. Murilo Lemos de Lemos, a dica fundamental é não desistir e investir sempre em conhecimento.

“2016 viu o início da retomada do crescimento econômico do país, mas é um processo lento, que tem na recuperação do emprego um dos seus últimos estágios - provavelmente apenas a partir do segundo semestre de 2017, na melhor das hipóteses. Por conta deste cenário, para o jovem administrador, em início de carreira, o primeiro emprego fica mais difícil de ser conquistado. A sugestão é não desanimar, buscar o aprimoramento profissional constante, ter um currículo bem elaborado, estar preparado para as entrevistas e, principalmente, ter autoconhecimento e objetivos profissionais claros. Outra sugestão é o caminho do empreendedorismo, mas não por mera necessidade, e sim por vocação, conhecendo os prós e contras desta alternativa e buscando associar-se com parceiros experientes na área específica de negócio a ser explorada”, recomenda Lemos de Lemos.

Geração após geração

Administrar uma empresa familiar é um desafio que envolve muito mais do que as práticas da ciência administrativa. Conciliar interesses, expectativas e gerir os conflitos são apenas algumas das dificuldades que requerem atenção. A coordenadora do Grupo de Administração de Empresas Familiares, Adm. Sandra Regina da Luz Inácio, mostra que em 2017 as organizações devem buscar reverter itens que permaneceram negativos neste ano.

“Estudos e pesquisas do Grupo realizados em 2016 infelizmente mostraram que as empresas familiares continuam cometendo os mesmos erros dos anos anteriores, como a não profissionalização e a falta de sucessão adequada, itens agravados pela crise em que o Brasil vive neste momento. Segundo os economistas, a inflação para 2017 irá melhorar e a atividade econômica estará mais estável para todos os ramos de atividade, incluindo as empresas familiares. Já tivemos dois pequenos ajustes para cima na estimativa do desempenho do PIB e também se espera juros menores, além da queda do dólar no ano que vem. Tudo isso possibilita que as empresas familiares tenham expectativas de melhoria para novo ano, sempre com muito trabalho e confiança, utilizando-se dos seus pontos fortes: interesses comuns, confiança mútua, dedicação dos seus membros e permanência da cultura e valores”, analisa Sandra.

A administradora dá dicas para quem está na administração destas empresas. “Planejar, substituir produtos e serviços por outros mais em conta ou alternativos, ter uma reserva financeira, diversificar e ampliar a carteira de clientes são alguns dos conselhos para o próximo ano. A crise é uma grande oportunidade para muitos”, finaliza.

A Administração no contexto Legal

Estar atento aos aspectos legais é item obrigatório para 2017 e as empresas devem se preparar para possíveis itens que influenciam profundamente nos seus resultados. O Adm. Rogério Góes, coordenador do Grupo de Administração Legal, traça o panorama da área.

“É incontestável que a Administração Legal conquistou seu espaço no mercado jurídico e que o cenário, hoje, é de profissionalização crescente. Prova disso pode ser constatada em nosso Grupo, composto por 52 voluntários em seis células. O mercado jurídico cresceu e a Administração Legal também, afinal, o trabalho depende de pessoas e da missão de desenvolver, compartilhar conteúdo e formar profissionais continuamente”, contextualiza.

“Para 2017, as expectativas giram em torno do Novo Código de Processo Civil - NCPC e da aplicação da Lei de Compliance, criminalizando velhos hábitos que impactam o ambiente jurídico. O NCPC agiliza o rito Judiciário, aproximando-o em algumas situações ao da Arbitragem. As etapas que têm impacto financeiro, muitas vezes difíceis de prever, ocorrerão ao longo da vida do processo e podem ser desencadeadas por decisões judiciais externas que vinculem o Juiz ao precedente judicial. O julgamento liminar de improcedências também impactará o caixa das empresas, que devem evitar “aventuras” jurídicas, que terão os pesados custos das verbas de sucumbência. Isso significa que provisionar contingências nos balanços tornou-se mais complexo e as provisões devem impactar fortemente os resultados”, enfatiza o coordenador.

Pessoas em destaque

As pessoas são o maior patrimônio das empresas, sejam estas públicas ou privadas. É necessário ter um olhar individualizado para cada colaborador para alcançar os resultados esperados e é fundamental alocá-los nos cargos certos. O Adm. Walter Lerner, coordenador do Grupo de Administração de Pessoas, mostra o atual e futuro cenário.

No ano de 2016, os dirigentes empresariais, com ênfase nos administradores profissionais, compreenderam muito mais claramente a gravidade dos fatos e fenômenos econômicos mundiais e as dificuldades em superar as crises vigentes nas organizações para manter empregos, comercializar produtos e serviços, viabilizar tecnologias e gerar demandas de mercado com lucratividade. O fator humano eficaz com desempenho diferenciado e motivado é um capital essencial para o alcance de todos os resultados fundamentais e necessários, objetivando inovação e competitividade organizacional para sobrevivência. Para 2017, temos a certeza e prevemos que ocorrerá uma indispensável reação em sistemas e processos renovados, estratégias vencedoras, pessoas atuando com elevadíssima qualificação e integridade exemplar. Cremos, também, na ênfase em valores e princípios liderados pelos administradores profissionais através de conhecimentos e experiências do capital humano, garantindo o aprendizado direcionado para o foco das organizações holisticamente. Se isto ocorrer, as mudanças e adaptações necessárias ao crescimento e adaptabilidade serão verdadeiras e lucrativas”, defende Lerner.

Expansão do comércio

Enxergar oportunidades frente a cenários incertos é a grande meta para o comércio exterior em 2017. Muitos acontecimentos deste ano tornaram o cenário desafiador e reverter e aprimorar os processos será de total importância para a área. É o que explica o coordenador do Grupo de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Adm. Edmir Kuazaqui.

“O comércio exterior brasileiro fechará 2016 com uma retração em torno de 28%, reflexo de fatores estruturais e situacionais do país, bem como em relação ao cenário internacional. Sob o ponto de vista interno, o país passa por uma séria crise institucional e comercial, alicerçadas principalmente pela incapacidade do governo em reverter positivamente a economia, bem como a sua imagem frente aos inúmeros escândalos de corrupção. Outro ponto é o reconhecimento da China como economia de mercado a partir de 2017, além do efeito Trump, impactando nas nossas vendas internacionais”, analisa o administrador.

“Um dos grandes desafios do país será reverter o processo de desindustrialização sob o prisma econômico, político e também pelo lado do aumento da credibilidade por parte do empresariado brasileiro, que tem de perceber que ambientes deste gênero, disruptivos, podem gerar oportunidades, como a revisão de processos e a identificação de novos nichos e estratégias de marketing internacional. Mais do que se adaptar à crise, é pensar diferente e solucionar os problemas dos clientes e não simplesmente atender pedidos”, prevê Kuazaqui.

Administração de Condomínios

Compartilhar espaços comuns exige das pessoas respeito à normas e regras que valem igualmente para todos. Nesses momentos, fica clara a necessidade de competências inerentes aos administradores profissionais e qualificados, que podem determinar o sucesso de uma gestão, afinal, um condomínio funciona como uma empresa. A coordenadora do Grupo de Administração de Condomínios, Adm. Rosely Schwartz destaca os principais pontos do setor.

“Viver em condomínios residenciais ou trabalhar em condomínios comerciais é uma realidade que cresce em todas as cidades do país. Essa opção de moradia ou trabalho acarreta, entre outras coisas, o compartilhamento de espaço comum e a necessidade do cumprimento de várias normas por parte dos gestores, que envolvem principalmente a legislação tributária, trabalhista e de segurança. Além disso, há a necessidade de gerenciar o fornecimento de água, de energia, as manutenções, as reformas e os serviços como portaria e limpeza. Também faz parte das atividades do gestor o atendimento às expectativas dos moradores, como ocorre nas empresas”, explica Rosely.

Por conta disso, a administradora explica as novas necessidades e preocupações para 2017. “Em função do quadro atual com rápida transformação do setor é imprescindível que a administração de condomínios seja exercida por profissionais habilitados, capazes de valorizar o patrimônio, proporcionando maior transparência às contas. Essa área constitui uma ótima oportunidade de trabalho e negócios para os administradores.”

Administração Financeira

Organizar, elaborar, planejar, investir e controlar custos são apenas algumas das funções dos profissionais da área de finanças. Em 2016, um ano especialmente conturbado, as questões relacionadas ao setor receberam destaque e geraram mudanças de grande impacto junto às empresas públicas e privadas. O coordenador do Grupo de Administração Financeira, Adm. André Massaro, explica algumas questões acerca do tema no contexto atual.

"No universo das finanças, o ano de 2016 foi marcado pela retomada dos cortes de juros (ainda que graduais e discretos) e pela queda nas perspectivas de inflação. Porém, tudo isso associado, em grande parte, a um desaquecimento geral da economia e aumento nos níveis de incerteza. Juros mais baixos são, em geral, positivos para o empresário e uma inflação mais baixa é positiva para o país como um todo, mas tudo indica que 2017 será um ano tão ou mais desafiador que 2016 no que diz respeito à gestão financeira, tanto corporativa quanto pessoal. Empresas terão juros mais baixos, mas a aversão ao risco permanecerá alta e “dinheiro mais barato” não será sinônimo de “dinheiro mais acessível”. Esse cenário desafiador ressaltará, ainda mais, a importância estratégica de uma boa gestão financeira nas organizações. Mas se o cenário promete ser difícil, por outro lado não faltarão oportunidades para administradores financeiros mostrarem seu valor”, defende Massaro.

Ensino Superior em pauta

Formar bons profissionais e diminuir a lacuna entre a teoria e prática tem sido um desafio constante, não só nos cursos de Administração. Além deste panorama em constante mudança, outros pontos importantes no cenário educacional devem estar na pauta dos profissionais do setor.

“O ensino superior no Brasil teve um avanço nos últimos anos. Porém, algumas instituições sentiram o reflexo da crise de 2016 e a perda do FIES gerou a oportunidade de criar créditos próprios a fim de reter alunos. Os cursos a distância (EAD) têm sido uma alternativa para os estudantes e para as instituições e seu número tem aumentado, assim como a procura pelo curso de graduação em Administração.

Em 2017, com certeza, essa procura aumentará”, defende a Adm. Teresinha Covas Lisboa, coordenadora do Grupo de Gestão de Instituições de Ensino Superior.

“O alinhamento do mercado de trabalho com as instituições de educação tem sido a preocupação dos dirigentes, pois o Brasil avança rapidamente em tecnologia e, com isso, há necessidade de formarem-se profissionais especializados. Outro ponto importante das Instituições é a Internacionalização de Carreiras, exigência nos instrumentos de avaliação institucional e que são considerados como pontuação positiva nos programas de mobilidade acadêmica, intercâmbio, oferta de cursos de língua estrangeira e presença de alunos estrangeiros na IES. Portanto, 2017 é um ano de muita expectativa, pois o avanço econômico e social depende de profissionais capacitados e bem formados”, finaliza Teresinha.

Teletrabalho gera redução de custos

O teletrabalho proporciona aos colaboradores e às empresas diversos benefícios e tem sido adotado por inúmeras organizações também como forma de reduzir custos e melhorar o desempenho dos profissionais. A Adm. Vera Boscatte, coordenadora do Grupo de Teletrabalho e Mobilidade Corporativa, explica porque a prática pode colaborar com a qualidade dos serviços e atividades em 2017.

“O Brasil apresentou, no ano de 2016, um crescimento visível quanto à utilização dos horários flexíveis de trabalho. Os órgãos públicos, tendo na área jurídica um foco expressivo, implantaram o teletrabalho definindo metas e instrumentos de mensuração do desempenho, na tentativa de aperfeiçoar a prestação dos serviços públicos, com economia de despesas. Empresas privadas viram no teletrabalho uma maneira eficaz de reter seus talentos. As preocupações legais tornaram- -se mais seguras e a tecnologia, com a sua constante evolução, vem permitindo controles aperfeiçoados, principalmente da segurança da informação. Vale ressaltar que as métricas são indispensáveis na utilização do teletrabalho. Um ponto crítico e desatualizado quanto a prática é que a sociabilização do empregado torna-se prejudicada. Hoje, entretanto, com os instrumentos de web conference e normativos específicos de participação em reuniões e eventos de capacitação, tal fato deixa de ser preponderante. Para 2017, o teletrabalho será um instrumento relevante quanto aos recursos empresariais e públicos, na visão de economicidade necessária à reestruturação do país”, enfatiza Vera.

por Maria Cecilia Stroka e Katia Carmo

fonte: revista administrador profissional edição dezembro/2016 ano 39 n 366


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